Fazer escolhas. Tomar decisões.
- Lígia Silva

- 23 de abr. de 2020
- 3 min de leitura

Sinto que vivemos em modo “ vida suspensa”, como se caminhássemos em direção a “um fim” e à espera “ do fim”.
O fim da pandemia, o fim do isolamento, o fim do afastamento, o fim do medo, o fim da incerteza...
No entanto, a vida, a nossa vida, a minha, a tua, está prestas a mudar ou até já mudou.
E isso será só um começo. Melhor ainda, um recomeço.
A mudança acontece assim, pode acontecer assim, num instante.
Na verdade a vida continua a acontecer.
Hoje é a vida.
É a nossa vida.
Como diz Henry David Thoreau “ As coisas não mudam; nós é que mudámos.”
Que alternativa temos?
Por esta altura debatemo-nos com um mix de emoções:
medo, incerteza, irritabilidade, frustração, impotência, tristeza, raiva, desânimo, desmotivação, falta de controlo...
Aquilo que de início nos parecia serem medidas de “ só por alguns dias” e com um objectivo muito claro, hoje algo se desvanece e agora já se transformaram em rotinas - muitas delas de que não gostamos e nas quais não nos revemos; mas o contrário também acontece.
Deparamo-nos com um enorme leque de desafios: desafios profissionais, desafios financeiros, desafios nos relacionamentos, desafios na parentalidade e tantos outros.
A primeira coisa que deixo bem claro para mim é “aceitemo-nos a nós e às circunstâncias”.
Não temos que ser perfeitos e não faz sentido criarmos expectativas que nos oprimam ainda mais.
Na verdade, existem tantas variáveis que estão fora do nosso alcance, do nosso domínio e do nosso controlo.
Somos pessoas fantásticas que estamos a dar o nosso melhor em face das circunstâncias em que estamos, e muitas delas sem qualquer responsabilidade nossa.
Em breve vamos ter que tomar decisões
e é nos momentos de decisão que a nossa vida e o nosso destino é projectado, sonhado e ganha forma.
E o que determina o nosso destino são essas nossas decisões.
Estamos a ser chamados a criar o nosso futuro. M A R A V I L H O S O
Temos que acreditar que merecemos mais, melhor e de que somos capazes.
Mais importante do que nos recriminarmos pelos nossos erros do passado ou de culpar terceiros, é aprender com a situação actual.
Vamos avaliar onde é que temos andado a alocar o nosso tempo, o nosso dinheiro, a nossa atenção, a nossa saúde, os nossos pensamentos.
Podemos ver os nossos maiores problemas como as nossas maiores oportunidades. Porque existem sempre um outro lado da mesma moeda.
Desafio-te a parar para avaliares com toda a sinceridade cada um destes nossos bens tão preciosos.
Depois disso estaremos com certeza, em melhores condições de escolhermos, de novo, o que queremos para nós e para as nossas vidas - saber o que realmente queremos.
Que mudanças queremos para as nossas vidas, que rumos queremos tomar, de que resultados precisamos, que pessoa é que nós sempre quisemos ser, que compromissos estamos disponíveis para assumir.
Tantas questões para responder.Tantas decisões a tomar.
Não podemos também permitir que sejam as nossas actuais condições ou circunstâncias de vida a definir o nosso valor ou que nos definam como pessoas.
No final deste tempo há algo que precisamos de ter a coragem de afirmar: ESTE SOU EU!
E mais do que nunca temos o direito de nos sentirmos mal, abaixo do nosso potencial e não temos que nos envergonhar disso, de o justificar nem de o esconder.
Mas o que não nos podemos permitir é mantermos a inércia, à espera que passe ou que alguém nos dê a mão.
Assumir e aceitar quem somos devolve-nos o nosso poder; o enorme poder de tomarmos decisões.
E de agirmos.
Resgatamos assim a capacidade de ultrapassar obstáculos, desafios, desculpas ( que criamos para nós ou que outros o fazem) que nos limitam, que nos atrasam, que nos demovem e que nos destroem.
Não deixemos que estes momentos nos roubem a vontade de lutar pelos nossos sonhos nem a capacidade de sonhar.
E mais do que isso, de realizar os nossos sonhos.
Haverá coisas que não conseguimos fazer hoje, mas poderemos realizá-las amanhã.
Até lá, e não te esqueças disso, vai escrevendo uma lista de todos os teus sonhos e como os queres realizar.
E já agora, lá porque não sais de casa e a nossa vida social esta confinada, não deixes de te sentir bonita; cuida-te, mima-te, coloca o teu perfume, maquilha-te se gostares; os homens também.
É que não temos que ficar bonitos para outros, mas para nós próprios.
Em breve estaremos outra vez todos juntos.
Temos que resistir, tornando-nos cada vez mais fortes.
Porque a vida continua, está à nossa espera e sempre a acontecer para nós.



Inspirador como sempre... Beijinho grande!