O que poderia ver em ti?
- Lígia Silva

- 27 de ago. de 2018
- 3 min de leitura

Quando olhamos para alguém facilmente nos focamos na cor da pele, do cabelo, como se veste, que tendências da moda segue, no corpo tatuado ou na sua estrutura física.
Muitas destas tendências ou modas estão mais ou menos acessível à maioria, e que facilmente podem ser reproduzidas ou copiadas.
Focamo-nos nas cicatrizes e nas deformações.
Olhamos para um corpo físico, olhamos para o seu exterior e quase num modo inconsciente estamos a criar um rótulo, a catalogar, a criar um perfil de acordo com uma imagem que poderá estar totalmente desvirtuada da verdadeira essência da pessoa. Do seu verdadeiro “eu”.
Para esta avaliação competem a hierarquia dos nossos valores, a dimensão do autoconhecimento, o nosso grupo de influência, as nossas crenças e a sociedade, no seu todo.
Somos apanhados e levados pela enxurrada do diz que disse e da crítica fácil.
E somos óptimos neste escrutínio. Num ápice estamos a fazer o “filme” daquela pessoa.
Entregamo-nos a “achar” e a julgar; somos absolutamente mordazes e criativos em toda a aura que criamos em redor dessa pessoa.
E no fundo, se parássemos para reflectir, descobriríamos que nada sabemos da pessoa e da sua vida.
E quero acreditar que sempre que nos focamos unicamente na informação externa do outro ( que carro conduz, que profissão tem, se é gordo, se é magro, com quem se relaciona, onde passou as últimas férias...) estamos a transferir para nós o peso dessa avaliação.
Ou seja, aquilo que os outros avaliarão em mim estará sustentada nos mesmos pressupostos.
E aí, mais uma vez, estou eu a viver para os outros e em função dos outros e do que estes pensarão de mim.
Mas então, e se fechássemos os olhos o que poderíamos observar? O que poderíamos sentir? Que emoções nos seriam transmitidas por essa pessoa?
Quem és tu verdadeiramente? Qual é a tua essência? O que te define? O que tens dentro de ti que nos passa despercebido? Quem impressionarias?
Conseguiríamos responder a estas questões?
Então e a forma como caminhas, o tom de voz que usas, a empatia que transmites, o calor do teu abraço, a firmeza do teu aperto de mão, o teu sorriso verdadeiro, a capacidade que tens para escutar, para te entregares aos outros, o teu altruísmo, o teu carácter, os teus valores, as tuas lutas, as tuas vitórias, os teus sonhos?
E a beleza dos teus pensamentos, do brilho dos teus olhos, da capacidade que tens em fazer os outros sorrir?
E o equilíbrio das tuas palavras e das tuas ações? E a tua generosidade, respeito pelos outros e integridade?
Isto sim, é a tua identidade, é o teu ser, é a tua essencial . E tenho a certeza que mesmo de olhos fechados iria descobrir todas estas qualidades. Não porque recebo imagens, mas antes porque que transmites emoções.
É esta a tua beleza. És tu!
Impressionas verdadeiramente pelo que és e não pelo que tens.
E sempre que nos voltamos para “dentro” vamo-nos conhecendo melhor, vamo-nos aceitando como somos, com todas as nossas qualidades, virtudes, defeitos e imperfeições e, deste modo, vamos ficando também mais disponíveis para aceitar os outros também como são.
Mantendo sempre a firmeza nas nossas atitudes e convicções; respeitando sempre e, assim, conquistando o direito a ser respeitado.
E é isto que na verdade faz criar laços, atrai as pessoas e as faz ficar.
Este é o grande desafio!
E tenho a certeza que isto vai para além da imagem, da diferença, da moda, do comum....
Claro que quem gosta de si e se ama de verdade, cuida-se, transmite auto-estima, motivação, felicidade, segurança, harmonia, não tem medo de errar; no fundo, transcende-se além do seu corpo. Aceita o seu corpo e as suas imperfeições.
E como todos sabemos, a perfeição não existe.
A perfeição só se consegue quando nos sabemos aceitar e nos conseguimos voltar para dentro de nós, para uma imensidão que não se vê, que é tão maior que só se sente e se transmite pelas emoções.
Então, e se eu fechasse os meus olhos, o que conseguiria “ver” em ti?



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